MÍDIAS,
TECNOLOGIAS E GESTÃO: a escola da pós-modernidade
Rubenil
da Silva Oliveira[1]
Da escola peripática na
Grécia Antiga à escola virtual e/ou mediada pelas tecnologias foi grandioso o
processo de mudanças na estrutura sociopolítica mundial. No conjunto dessas
transformações a escola e, por conseguinte, os modos de ensinar e aprender
também foram modificados procurando atender as necessidades e exigências do
tempo. Porém, mesmo sabendo que a escola é um microcosmo social ainda se
encontra envolta de problemas como a gestão das mídias e tecnologias na escola,
por exemplo, o uso dos celulares é certo proibi-los? Por que não usar os
computadores como ferramenta de leitura na escola?
O uso do celular pelos
alunos na escola e, mais especificamente na sala de aula tem dividido as
opiniões nas escolas e universidades. De um lado está a maioria dos gestores e
professores contrários ao uso por acreditarem que ele desarmoniza o espaço
escolar, pois a sala de aula é um espaço de ensino-aprendizagem no qual o
discente deve concentrar-se para extrair do docente o maior número de
informações possível acerca do conteúdo ministrado. Por isso, defendem que o
aparelho celular afeta o desenvolvimento do processo educativo, pois atrapalha
o andamento da aula quando o aluno o atende na sala de aula tirando o foco de
quem atende e de quem está próximo ou ainda pelos toques musicais. Por outro,
estão aqueles que defendem que proibi-lo é uma violação do direito do aluno ou
professor de usar o seu bem.
Outra problemática diz
respeito ao não uso do espaço dos laboratórios de informática pelos professores
e alunos nas aulas, uma vez que os computadores são mídias potencializadoras da
aprendizagem de leitura. Porém, o que se evidencia é que a maioria dos
professores não têm a formação necessária para a correta utilização dessa mídia
nas práticas de leitura que deveriam ser estimuladas durante as aulas. Do
contrário, se perpetuará a crise da leitura já abordada por Zilberman (1982)
quando organizou o livro Leitura em crise
na escola: as alternativas do professor, no qual ela enumera que essa crise
de leitura acontece devido a fatores como a falta de incentivo à leitura nas
escolas, a ausência do hábito de leitura pelos alunos e a ideia de que o
brasileiro lê pouco em relação a outras nacionalidades. Diante desse problema
ainda constata-se que uma parcela significativa das escolas não prescreve em
suas propostas curriculares o uso desse espaço mesmo que as propostas do
Ministério da Educação e das Secretarias de Estado associem o uso das tecnologias
às diferentes áreas do ensino.
Considerando os
problemas apontados cabe aos gestores escolares e técnicos/coordenadores dos
laboratórios de Informática nas escolas criarem propostas para as suas escolas
nas quais defenda o uso da razoabilidade frente aos problemas. Simplesmente,
proibir, reter o aparelho celular não assegura o desenvolvimento da
aprendizagem, mas promove um conflito mais acirrado entre professor, aluno,
gestão escolar e família. Desse modo, a solução ideal é a criação de projetos
que preconizem o uso dos celulares em sala de aula como ferramentas para a
aprendizagem, através do acesso à internet para a leitura de textos, troca de
mensagens e um uso mais expansivo dos laboratórios de informática por todos os
docentes. Afinal, a escola da pós-modernidade é sinônimo de educação e
tecnologia e as práticas educativas da atualidade precisam estar adequadas aos
seus sujeitos.
REFERÊNCIA
ZILBERMAN,
Regina. (org.) Leitura em crise na
escola: as alternativas do professor. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.
[1] Aluno do Curso de Gestão em
Mídias; Professor de Língua Portuguesa do Centro de Ensino Estado do Ceará em
Bacabal (MA); Graduado em Letras (UEMA); Graduando em Ciências Humanas (UFMA)
e; Especialista em Mídias na Educação (UFMA).
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