sábado, 11 de maio de 2013


MÍDIAS, TECNOLOGIAS E GESTÃO: a escola da pós-modernidade

Rubenil da Silva Oliveira[1]

Da escola peripática na Grécia Antiga à escola virtual e/ou mediada pelas tecnologias foi grandioso o processo de mudanças na estrutura sociopolítica mundial. No conjunto dessas transformações a escola e, por conseguinte, os modos de ensinar e aprender também foram modificados procurando atender as necessidades e exigências do tempo. Porém, mesmo sabendo que a escola é um microcosmo social ainda se encontra envolta de problemas como a gestão das mídias e tecnologias na escola, por exemplo, o uso dos celulares é certo proibi-los? Por que não usar os computadores como ferramenta de leitura na escola?
O uso do celular pelos alunos na escola e, mais especificamente na sala de aula tem dividido as opiniões nas escolas e universidades. De um lado está a maioria dos gestores e professores contrários ao uso por acreditarem que ele desarmoniza o espaço escolar, pois a sala de aula é um espaço de ensino-aprendizagem no qual o discente deve concentrar-se para extrair do docente o maior número de informações possível acerca do conteúdo ministrado. Por isso, defendem que o aparelho celular afeta o desenvolvimento do processo educativo, pois atrapalha o andamento da aula quando o aluno o atende na sala de aula tirando o foco de quem atende e de quem está próximo ou ainda pelos toques musicais. Por outro, estão aqueles que defendem que proibi-lo é uma violação do direito do aluno ou professor de usar o seu bem.  
Outra problemática diz respeito ao não uso do espaço dos laboratórios de informática pelos professores e alunos nas aulas, uma vez que os computadores são mídias potencializadoras da aprendizagem de leitura. Porém, o que se evidencia é que a maioria dos professores não têm a formação necessária para a correta utilização dessa mídia nas práticas de leitura que deveriam ser estimuladas durante as aulas. Do contrário, se perpetuará a crise da leitura já abordada por Zilberman (1982) quando organizou o livro Leitura em crise na escola: as alternativas do professor, no qual ela enumera que essa crise de leitura acontece devido a fatores como a falta de incentivo à leitura nas escolas, a ausência do hábito de leitura pelos alunos e a ideia de que o brasileiro lê pouco em relação a outras nacionalidades. Diante desse problema ainda constata-se que uma parcela significativa das escolas não prescreve em suas propostas curriculares o uso desse espaço mesmo que as propostas do Ministério da Educação e das Secretarias de Estado associem o uso das tecnologias às diferentes áreas do ensino.
Considerando os problemas apontados cabe aos gestores escolares e técnicos/coordenadores dos laboratórios de Informática nas escolas criarem propostas para as suas escolas nas quais defenda o uso da razoabilidade frente aos problemas. Simplesmente, proibir, reter o aparelho celular não assegura o desenvolvimento da aprendizagem, mas promove um conflito mais acirrado entre professor, aluno, gestão escolar e família. Desse modo, a solução ideal é a criação de projetos que preconizem o uso dos celulares em sala de aula como ferramentas para a aprendizagem, através do acesso à internet para a leitura de textos, troca de mensagens e um uso mais expansivo dos laboratórios de informática por todos os docentes. Afinal, a escola da pós-modernidade é sinônimo de educação e tecnologia e as práticas educativas da atualidade precisam estar adequadas aos seus sujeitos.  

REFERÊNCIA

ZILBERMAN, Regina. (org.) Leitura em crise na escola: as alternativas do professor. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.


[1] Aluno do Curso de Gestão em Mídias; Professor de Língua Portuguesa do Centro de Ensino Estado do Ceará em Bacabal (MA); Graduado em Letras (UEMA); Graduando em Ciências Humanas (UFMA) e; Especialista em Mídias na Educação (UFMA).

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