domingo, 24 de junho de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
TRANSFORMANDO A ESCOLA NUM LOCAL DE PRODUÇÃO DE MÍDIAS: Relato visual do projeto
As mídias como ferramentas pedagógicas possibilitam ao professor e ao aluno a tão sonhada autonomia no processo de aprendizagem dos últimos. Porém, mesmo diante dessa possiblidade apontam-se dificuldades como o domínio das mídias pelo professor e pelo aluno, insuficiência das mídias em relação ao contingente de alunos atendidos pela escola e a experiência dos atores envolvidos na produção das mídias. Ainda assim, é possível realizar uma atividade com qualidade e participação ativa dos alunos, basta que o professor planeje adequadamente a atividade.
A união entre as propostas de trabalho entre o projeto e o currículo formal presente na escola possibilitou que os alunos envolvidos pudessem integrar as mídias impressa e digital na atividade final do projeto “Trabalhando o gênero jornalístico em sala de aula: leitura e interação através do jornal impresso na 1ª e 2ª séries do ensino médio no Centro de Ensino Estado do Ceará em Bacabal – MA” e as tipologias textuais – narração e descrição. O projeto iniciado em maio começou com a leitura das notícias quando levei os jornais para a sala de aula e solicitei que os alunos lessem as manchetes do jornal e selecionassem para ler àquela que mais chamou a sua atenção. Após essa atividade, ministrei uma aula expositiva sobre a composição e história do jornal na sociedade.
Para não deixar de lado os conteúdos apresentados no currículo formal referentes ao ensino de gramática e literatura, procurei planejar as aulas de modo que elas pudessem ser contempladas tendo como base as matérias contidas nos jornais e assim dei continuidade ao estudo da linguagem formal, figuras de linguagem, ortografia e acentuação gráfica e dos gêneros literários, em especial os narrativos. Quanto à produção textual, que era onde estava inserida a temática do trabalho, reservei duas horas semanais da carga horária para a leitura e discussão dos gêneros textuais apresentados e produção de textos considerando também o gênero e tipologia textual.
A opção pela mídia impressa se deu em razão de os computadores do laboratório de Informática não estarem todos em funcionamento, pois das 10 máquinas apenas 4 estavam em condições de uso, fato que inviabilizou levar aproximadamente 40 alunos para aulas no referido ambiente. A princípio as leituras foram individuais, depois passei a reunir os grupos por meio da identificação com os gêneros e tipologias textuais.
Depois de realizadas a maioria das atividades planejadas e escritos alguns textos mediante o que estava contido no projeto o conteúdo proposto no currículo formal foi “Fábulas e Apólogos”, “narrativas de conteúdo moralizante, oriundas da tradição oral, usa animais como personagens, narrativas curtas, linguagem formal, com público infanto-juvenil e adulto, que pode circular em qualquer meio – impresso ou virtual” (CEREJA & MAGALHÃES, 2010). Então, pensou-se na produção de vídeos e apresentação em slides feitos de modo artesanal usando as câmeras de celulares ou câmeras digitais e/ou no caso dos últimos usando o Movie Makers ou o Power Point.
Para a culminância pretendia-se inicialmente um seminário para a apresentação dos textos produzidos pelos alunos. Porém com a sugestão dada no Módulo 4 do curso “Ensinando e Aprendendo com as TICs” – produção de vídeos e fotos, levei a sugestão para os alunos da 1ª série, turmas “D, E e F”. Os alunos envolvidos gostaram da sugestão e dentre as fábulas lidas, notícias e gêneros textuais produzidos resolveu-se fazer releituras em slides com fotos associadas às histórias em quadrinhos e vídeos da fábula “A cabra e o asno”, de Esopo, escritor grego que viveu no século VI a.C., considerado o pai das fábulas como gênero literário. Os resultados das produções dos alunos foram satisfatórios e alguns trabalhos selecionados por mim e com o consentimento dos mesmos foram depositados no youtube e podem ser visualizados nos links que seguem: http://www.youtube.com/watch?v=1ZeXhbX7_tc&feature=youtu.be e
Portanto, a produção de mídias pode ser uma estratégia utilizada na escola e depende apenas de planejamento, sendo uma oportunidade para o desenvolvimento da percepção, capacidade imaginativa e criacionista dos alunos. Não importa, se os alunos dominam mais a mídia que o professor, os primeiros são “nativos digitais”, os últimos não, o fundamental e orientar os alunos a produzirem e participarem ativamente da construção do conhecimento. Além disso, com uma boa ideia na cabeça, criatividade, imaginação e uma câmera na mão é possível que sejam reescritos textos clássicos, como as fábulas de Esopo.
REFERÊNCIAS
CEREJA, William Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português Linguagens: literatura, produção de texto e gramática. Volume 1. 7. ed. reform. São Paulo: Saraiva, 2010.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
PRODUTOS DO PORTAL DO PROFESSOR
PRODUTOS E OBJETOS DO PORTAL DO PROFESSOR
O primeiro vídeo que eu assistir foi o “Gazeta”, vídeo produzido para o Programa Mais Educação, criado e animado por Leandro Ferreira. O vídeo tem duração de um minuto e trata da origem da palavra “gazeta”. Ele se encontra disponível nos seguintes endereços: Portal do professor e youtube, respectivamente: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=11655 e
http://www.youtube.com/watch?gl=BR&feature=related&hl=pt&v=1BYmOMCnCDA
O segundo recurso que visualizei foi o material do programa “Recriando o repente”, documentário apresentado no Programa Sala de Professor, do Salto para o Futuro, da série “Poetas do repente”, exibida pela TV escola. A princípio pensei que o link me levaria para um vídeo, mas ele nos leva para o material impresso do projeto “Ritmo e imagem”, o qual pode ser lido e impresso especialmente pelos professores de Literatura, especialmente quando se trabalha os conceitos de rima e metrificação. Para acessar o material basta fazer o download do recurso. O link da aula no Portal do professor é:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=37725O terceiro e último recurso didático foi o áudio dos poemas “Frieza, Tortura, A minha dor e A noite desce”, da escritora modernista portuguesa Florbela Espanca, narração do ator, autor de novelas e ex-apresentador de TV, Miguel Falabella. No Portal do professor o link da aula é:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=16708 e do recurso:
http://www.box.net/encoded/6030296/55558484/3918f523535ce115627f47116ad51034
Então, acessar ao Portal do professor é fazer uma viagem por um mundo de possibilidades e variedade de recursos didáticos necessários à melhoria da prática educativa. Porém, se não houver nenhuma familiaridade com a navegação em ambiente virtual o navegante poderá perder-se. Também é necessário que os programas de visualização de vídeos ou adequados ao áudio estejam devidamente instalados na sua máquina, caso contrário os recursos desejados não serão abertos.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
O ESPAÇO DO DIÁLOGO NA SALA DE AULA: um choque entre proposições pedagógicas
Rubenil da Silva Oliveira
A sala de aula é um espaço aberto e, por isso toda a heterogeneidade nela deve ser acolhida e respeitada. Há tempos, um aluno sequer poderia emitir a sua opinião sobre o quê trabalhar e como trabalhar. O currículo já estava pronto e era uma rota estática, impossível de ser alterada, a metodologia era determinada pelo docente, pois ele tinha o domínio do conhecimento e o aluno, um ser passivo e obediente.
Pierre Bourdieu alega no livro “O poder simbólico: uma introdução à sociologia”, que “a cultura dominante contribui para a integração real da classe dominante”, analisando pela bourdieuana a escola serviria somente para a integração elitista, descartando todos os seres não pertencentes à referida classe social. Por outro lado, Lev Vigotsky no seu estudo acerca da interação, admite que todo indivíduo colocado em interação com os saberes podem ascender socialmente.
Considerando tais aportes teóricos, os professores Rubenil da Silva Oliveira (Língua Portuguesa), Cleidimar Ribeiro (História), ambos do turno vespertino do CE Estado do Ceará e o acadêmico Elias do 2º período do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), bolsista do Programa de Iniciação à Docência (PIBID). Preocupados com o baixo rendimento dos alunos no 1º período letivo resolveram ouvir as diversas vozes dos alunos matriculados na 1ª série do ensino médio, turmas (E e F), a fim de identificar os problemas que refletem sobre a aprendizagem e a partir daí elaborar um novo planejamento que agregue a opinião dos alunos.
O foco inicial era motivar os alunos a apresentarem suas opiniões sobre as aulas, professores e a escola. Para isso, os agentes elaboradores da experiência reuniram as duas turmas no auditório da escola, onde foram exibidos vídeos motivacionais, dentre eles “O poder da visão”, “Vida Maria”, “Quem mexeu no meu queijo” e “Desafiando gigantes”, todos disponíveis no site do youtube, músicas como “Another brink in the wall”, de Pink Floyd e “Pais e filhos”, da banda Legião Urbana e textos motivacionais, por exemplo. “O aprendizado”, de Willian Shakespeare e “Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...”, de Luís Fernando Veríssimo. As exibições dos vídeos e leituras dos textos foram intercaladas pela discussão sobre o conteúdo dos mesmos e a importância de o aluno motivar-se para aprender eficazmente e assim modificar a sua vivência.
Com essa atividade notou-se que muitos alunos estão ávidos por conhecimento, mas muitas vezes a escola mostra-se mais preocupada com o currículo que tem de ser cumprido à risca do que com a pessoa que aprende. Desse modo, a escola representa bem o papel de aparelho ideológico do Estado, como presente na teoria de Louis Althusser, seguindo ainda a visão de Bourdieu contida no livro “O poder simbólico”. Fato que reflete o descontentamento dos alunos diante do currículo que lhes é ofertado de forma impositiva.
A partir das discussões constatou-se que quando se pensa numa escola onde o aluno seja sujeito e não objeto da aprendizagem é necessário que ele seja escutado. Portanto, esse foi apenas o primeiro passo e, de agora em diante todas as considerações feitas pelos alunos serão respeitadas no planejamento dos professores envolvidos e, ainda pretende-se agregar outros professores a essa ideia.
ESTADO DO MARANHÃO
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
SECRETARIA ADJUNTA DE ENSINO
SUPERINTENDÊNCIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA
SUPERVISÃO DE TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS
CURSO: TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO – ENSINANDO E APRENDENDO COM AS TICS
TUTORA: EDINALVA ARAÚJO DOS SANTOS
CURSISTAS: RUBENIL DA SILVA OLIVEIRA; SOLANNA CRISTHINA MENDES NÓBREGA
CURSISTAS: RUBENIL DA SILVA OLIVEIRA; SOLANNA CRISTHINA MENDES NÓBREGA
TRABALHANDO O GÊNERO JORNALÍSTICO EM SALA DE AULA: leitura e interação através do jornal impresso na 1ª e 2ª série do ensino médio no Centro de Ensino Estado do Ceará em Bacabal – MA.
1 JUSTIFICATIVA
O presente projeto tem como tema “Trabalhando o gênero jornalístico em sala de aula: leitura e interação através do jornal impresso”. A opção por esse tema se deve ao fato de que o jornal impresso traz vários gêneros textuais no seu interior. Além disso, nota-se que a maioria dos alunos matriculados no ensino médio não lê jornais impressos, fator esse que contribui para a não associação da forma escrita com os gêneros textuais exigidos no currículo escolar atual de Língua Portuguesa.
O surgimento da Linguística Textual possibilitou a inserção da prática de leitura de textos diversos como instrumentos de busca do conhecimento, da informação, da solução de problemas e entretenimento. Nesse sentido, um dos instrumentos mais completos é o jornal impresso, uma vez que ele traz muitos gêneros textuais que perpassam as modalidades clássicas como a narração, a descrição e dissertação. Por isso, Marcuschi (2008, p. 160) afirma que os gêneros textuais, “são atividades discursivas socialmente estabilizadas que se prestam aos mais variados tipos de controle social e até mesmo ao exercício de poder”.
Considerando o pensamento do linguista pode ser afirmado que quando trabalhada a leitura e interação do aluno com os diversos gêneros textuais possibilita-se a este a oportunidade de exercitar o domínio sobre a linguagem e comunicação, pois quando se lê e se escreve consegue-se ultrapassar os limites da oralidade e atingir um maior número de pessoas. Lembrando ainda que os gêneros textuais têm sua materialidade no desenvolvimento das diversas situações de interação praticadas pelo homem no seu cotidiano.
Daí a opção por usar o jornal impresso como mídia potencializadora do trabalho com os gêneros textuais na sala de aula. Além disso, a escolha da mídia impressa se deve ao fato de que o laboratório de Informática no momento ter somente quatro máquinas em condições de uso e as turmas terem mais de 30 alunos, fato que inviabiliza o trabalho com a mídia computador tendo o aluno como foco principal.
O domínio discursivo presente nas diversas situações sócio-comunicativas como defendido por Bakhtin (1994) e Marcushi (2008) se refere especialmente aos espaços onde se determina a produção de textos e a circulação dos mesmos. Desse modo, a leitura oportuniza ao educando a interação com o texto. Tomando por base esse binômio tem-se como resultante o conhecimento sobre a diversidade de gêneros textuais presentes nos jornais impressos, pois é só por meio dessa que os alunos são capazes de aprender as características dos diferentes gêneros textuais e assim atenderem melhor aos objetivos educacionais pretendidos no ensino de língua materna, por exemplo, que os alunos da 1ª e 2ª série do ensino médio leiam e escrevam os diversos gêneros textuais.
Portanto, usando o jornal impresso como material de leitura em sala de aula, pode-se a partir dele trabalhar a produção escrita de novos textos obedecendo às características do texto jornalístico. Por essa infinidade de gêneros contidos no jornal é que se optou por usar essa mídia. Depois de realizadas as etapas de leitura e interação com o texto jornalístico acontecerá à etapa de produção dos textos e, por último, ocorrerá a culminância com a apresentação dos textos produzidos.
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
• Conhecer a diversidade de gêneros textuais contidos no jornal impresso.
2.2 Objetivos específicos
• Apresentar a variedade de gêneros textuais contidos no jornal impresso;
• Mostrar as características dos gêneros textuais jornalísticos;
• Ler a diversidade de textos explícitos no jornal impresso;
• Produzir textos diversos baseados nos gêneros textuais jornalísticos.
3 MARCO TEÓRICO
Para Marcushi (2008, p. 19), os gêneros textuais contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do cotidiano. São entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação. Todavia, mesmo apresentando alto poder preditivo e interpretativo das ações humanas em qualquer contexto discursivo, os gêneros não são instrumentos estanques e enrijecedores da ação criativa. Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos e plásticos. Surgem emparelhados a sociedades e atividades socioculturais. Isto se deve ao fato de que os gêneros textuais estão ligados a esferas de circulação.
Com o surgimento da imprensa de Gutemberg chegou-se à popularização do gênero escrito e, mesmo depois de mais de cinco séculos nem todos os indivíduos se tornaram leitores e/ou produtores de textos escritos, visto que na fala se produz textos a todo o momento. Por isso, João Wanderley Geraldi (2010) apud Luiz Percival Leme Britto (2011, p. 31) afirma que:
Aprender a escrever traz dificuldades específicas. Escrever nunca é só um processo simples de transcrever a fala para a escrita ou traduzir as palavras faladas em signos escritos. [...] O principal problema da escrita é tornar-se consciente de seus próprios atos. Escrever significa conscientizar-se da sua “fala”, prestar atenção aos recursos linguísticos mobilizados ou mobilizáveis segundo o projeto de dizer definido para o texto em elaboração. [...] Nos textos aparecem todos os problemas que podem ser enfrentados no campo da linguagem: os sentidos e as formas comuns e inusitadas de expressá-los. A atenção ao acontecimento pode chegar ao detalhe do linguístico no seu sentido estrito.
Observando o excerto nota-se que a produção dos gêneros textuais escritos é dificultada por não representar apenas a concepção de linguagem como pensamento, mas por sua funcionalidade numa interação sócio-comunicativa. Essa funcionalidade exige do produtor de texto a apresentação dos fatores linguísticos, os quais são a coesão e a coerência e os fatores pragmáticos da textualidade, os quais são: intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade e intertextualidade. A não demonstração desses fatores demonstra a não apreensão dos conteúdos pelo aluno (COSTA VAL, 2004).
Ler a escrita contemporânea é tão necessário quanto aprender a ler e escrever as palavras. Isso reforça a ideia de que a escrita alfabética é apenas uma dentre a multiplicidade de sistemas que temos hoje. Assim, o conceito de alfabetização amplia-se para que se possa ler não só as palavras, como também as imagens e os sons que muitas vezes acompanham as imagens. O analfabeto, hoje, não é aquele que não sabe ler a palavra escrita, mas o que compreende os textos do seu contexto social.
Como a textualidade tem sido concebida apenas como organização verbal, pouco tem sido percebido da expansão da escrita e de seus produtos; não se entende o texto como a combinação de diferentes códigos, como um produto híbrido: um produto em aberto, em expansão, sendo tecido. Seguindo essa perspectiva, necessita-se de um olhar mais atencioso para o movimento dos gêneros na cultura contemporânea (MACHADO, 1999).
Para compreender que a escrita sofre um processo de expansão é necessário que se perceba que a cultura evolui e ainda assim o texto impresso continua sendo a principal fonte de leitura nas escolas, pois os textos são constituídos por diversos sistemas semióticos, interconectados, em constante diálogo, num crescente processo de experimentação, transformação e expansão. Respeitando essa característica dos gêneros textuais impressos, Machado (1999, p. 41) afirma que:
Chamamos a atenção para o fato de que a expansão da escrita por campo de cobertura – a escrita tipográfica, a eletrônica – tem sido, nos últimos tempos, muito maior do que a sua expansão por campo de sentidos: a escrita está espalhada em muitos suportes e sendo divulgada para diferentes lugares, mesmo que não tenhamos condições de lhe atribuir sentidos mais consistentes. Além disso, desconhecemos de que modo ela vem se organizando e se estruturando e, como sabemos, a velocidade dos deslocamentos é avassaladora. Assim sendo, se pretendemos ter alguma influência sobre nossa próxima escala, é melhor avançarmos no campo dos sentidos que, por sua parte, ocorre tanto no momento de interpretação daquilo que se comunica quanto no processo de emissão do que se pretende comunicar.
De acordo com Machado o desenvolvimento de competências para a construção de significados partilhados pressupõe o desenvolvimento da capacidade metalinguística de produção da linguagem, ou seja, a percepção das possíveis traduções entre os sistemas semióticos. Quando os sistemas entram em conexão, eles não se anulam, mas se reelaboram, se expandem: eles co-evoluem. Desse modo, pode-se ressaltar ainda que a concepção de linguagem enquanto interação como atividade mediadora entre a língua e seus usuários cria condições propícias ao surgimento de uma linguística do discurso, ou seja, que se ocupa das manifestações linguísticas produzidas por indivíduos reais em situações concretas, sob determinadas condições de produção – cujo objetivo é descrever e explicar a interação humana por meio da linguagem.
A evolução dos sistemas de ensino e consequentemente da didática são vistos como a base para o desenvolvimento da sociedade em geral. Essa evolução começou com o surgimento dos recursos facilitadores do ensino e da aprendizagem. Neste sentido, a produção de textos pelos professores e alunos se torna uma excelente oportunidade de eles obterem contato com a matéria de aprendizagem, neste caso com o texto jornalístico enquanto gênero textual presente no currículo proposto para a 1ª e 2ª série do ensino médio. Por isso, a tendência destes se ampliarem, pelos seus benefícios na produtividade e a acessibilidade econômica na aquisição destas soluções, visto que quando são citadas as escolas públicas por uma questão absolutamente cultural a maioria não tem acesso ao gênero jornal.
Ao pensar a questão do gênero jornal no âmbito da sala de aula com o propósito da leitura e interação do aluno com a mídia impressa. Busca-se a produção de novos textos usando os apresentados como suportes, enfatizando meios que incluam uma análise dos contextos de produção, não somente nos seus aspectos tipológicos e linguísticos. Mas também nos seus aspectos sociais, históricos e culturais, para se chegar à reconstrução dos sentidos dos textos, por meio do uso dos próprios gêneros.
Espera-se que esse projeto possa contribuir para uma reflexão dos docentes e gestores da escola acerca da relação com a mídia impressa, como principal fonte de leitura dos nossos alunos e as práticas de escrita, relação essa que, embora ainda seja pouco estudada, pode nos ajudar a entender melhor o modo como às práticas de produção textual podem ser trabalhadas no contexto escolar quando usada a mídia impressa como aliada.
Portanto, ressaltamos aqui a importância de expandirmos pesquisas empíricas que contemplem o texto jornalístico e suas múltiplas possibilidades de (re)construir significados por meio da mídia impressa. Isso talvez torne possível promover um (re)pensar, e até uma redefinição, sobre as nossas teorias e práticas que compõem a comunicação humana.
4 METODOLOGIA
A metodologia a ser aplicada neste projeto terá como base a igualdade do conhecimento dos alunos em Língua Portuguesa, buscando um melhor aperfeiçoamento da linguagem escrita e domínio da mídia impressa.
4.1 Identificação da escola
O projeto será aplicado no Centro de Ensino Estado do Ceará, localizado à Rua Magalhães de Almeida, 808, Centro, em Bacabal – MA. A clientela a que se destina são os alunos matriculados na 1ª e 2ª série do ensino médio, do turno vespertino. E, ainda o tempo previsto para a realização do projeto será de 15 de maio a 28 de junho de 2012. As atividades serão desenvolvidas em sala de aula usando os gêneros textuais impressos e ainda incentivando a produção escrita de novos textos.
A execução do projeto se dará em quatro etapas: Seleção dos jornais impressos a serem levados para a sala de aula para leitura dos alunos; Aulas expositivas sobre os gêneros textuais apresentados nos jornais, dentre os quais se apresentam o editorial, artigo de opinião, notícia, charge e cartoon, horóscopo, crônica, propaganda, classificados e cartas; Leitura do jornal impresso em sala de aula e; Produção de textos com base nos gêneros textuais lidos pelos alunos e apresentados em sala de aula pelo professor. Ao final serão confeccionados cartazes e textos para a apresentação da culminância. A mídia a ser utilizada será o texto impresso contido nos jornais. A metodologia a ser aplicada neste projeto terá como base a igualdade do conhecimento dos alunos em Língua Portuguesa, buscando um melhor aperfeiçoamento da linguagem escrita e domínio da mídia impressa.
• 1º Passo – Elaboração do plano de aula pelo professor incluindo os gêneros textuais;
• 2º Passo – Seleção dos jornais impressos a serem levados para a leitura em sala de aula;
• 3º Passo – Leitura dos jornais impressos pelos alunos em sala de aula;
• 4º Passo – Aula expositiva para apresentação dos gêneros textuais contidos nos jornais, sendo dedicadas duas aulas para cada gênero, os quais são: editorial, artigo de opinião, notícia, reportagem, crônica, carta ao leitor, entrevista, debate, manchete, charge, cartoon e humorístico;
• 5º Passo – Reler as matérias jornalísticas no jornal impresso e selecionar algumas para debate em sala de aula sobre o gênero textual apresentado;
• 6º Passo – Propor aos alunos diálogo em pares para facilitar a compreensão do assunto;
• 7º Passo – Escrever textos conforme os gêneros trabalhados;
• 8º Passo – Troca de textos entre os alunos para correção da ortografia e melhoramento dos textos;
• 9º Passo – Exposição dos textos na aula de Língua Portuguesa;
• 10º Passo – Culminância e apresentação dos textos produzidos em forma de Seminário sobre os gêneros textuais.
4.3 Critérios de avaliação
A avaliação será contínua durante todo o desenvolvimento do projeto, devendo observar para isso os seguintes critérios:
• Assiduidade, frequência e participação dos alunos no decorrer das atividades;
• Participação e a interatividade tanto individual como em grupo;
• Produção escrita dos alunos;
• Apresentação oral dos alunos na culminância do projeto.
5 RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se que os alunos:
• Conheçam a linguagem dos textos jornalísticos e façam uso adequado dos mesmos em sua comunicação diária tanto na escola quanto no ambiente familiar;
• Compreendam as características dos gêneros textuais contidos no jornal impresso;
• Entendam a relevância dos gêneros textuais para a aprendizagem da língua escrita e ampliação do vocabulário da Língua Portuguesa;
• Sejam capazes de ler os textos jornalísticos;
• Produzam textos escritos a partir dos gêneros lidos;
• Ampliem o entendimento sobre o uso do jornal enquanto mídia impressa, aprimorando o diálogo e a comunicação.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: Informação e documentação: trabalhos acadêmicos – apresentação. Rio de Janeiro: 2011.
BRITTO, Luiz Percival Leme. Verdades perigosas. In. Na Ponta do Lápis: Olimpíada de Língua Portuguesa. Ano VII, nº 18, dezembro de 2011.
BAKHTIN, M. Problemas na poética de Dostoiévski. 4. ed. Trad. de Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense/ Universitária, 1994.
COSTA VAL, Maria da Graça da. Redação e textualidade. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2004.
MACHADO, I. Texto & gêneros: fronteiras. In: DIETZSCH, M. J. M. (org.) Espaços da linguagem na educação. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1999.
MARCUSHI. Luís Antônio. Processos de produção textual. In: _______. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: gêneros textuais em questão
AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E AS CHARGES: gêneros textuais em questão
Rubenil da Silva Oliveira
A formação de leitores na escola continua sendo uma problemática face às exigências de uma sociedade letrada. Por essas exigências os gêneros textuais em questão – as histórias em quadrinhos (HQ’s) e as charges - ganham maior relevância, uma vez que podem ser utilizados de forma interdisciplinar, como marca perceptível nos diversos exames e concursos da atualidade.
Sobre as histórias em quadrinhos Waldomiro Vergueiro et al (2007, p. 21) diz que:
Ainda que esta atividade tenha sido inicialmente vista com estranheza pela sociedade – a começar por aqueles professores que haviam crescido na época em que os malefícios da leitura de quadrinhos faziam parte do senso comum -, a evolução dos tempos funcionou favoravelmente à linguagem das HQ’s evidenciando seus benefícios para o ensino e garantindo sua presença no ambiente escolar formal. Mais recentemente, em muitos países, os próprios órgãos oficiais de educação passaram a reconhecer a importância de se inserir as histórias em quadrinhos no currículo escolar, desenvolvendo orientações específicas para isso. É o que aconteceu no Brasil, por exemplo, onde o emprego das histórias em quadrinhos já é reconhecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s).
Considerando o excerto acima se constata que o advento da Linguística Textual nos anos 70 e 80 do século XX favoreceu a inserção de novas fontes de leitura nas escolas, que não só as obras literárias classificadas como clássicas. Além do mais se admite que as crianças se identifiquem mais facilmente com as personagens e linguagem da HQ, por possibilitar a junção de imagem e texto que com personagens como Bentinho ou Capitu, presentes em Dom Casmurro, de Machado de Assis, não que deva desprezar os últimos. Mas que é mais fácil um indivíduo em processo de formação no ensino fundamental se identificar com uma criança como Chico Bento, de Maurício de Sousa, que traz marcas de sua própria cultura e linguagem que com uma personagem adulta e de personalidade complexa.
Isto ainda se explica pela representação da linguagem presente na cultura de massas, ou seja, a proximidade com a linguagem do cotidiano. Também o exercício da imaginação, acessibilidade, baixo custo e a utilização apropriada a qualquer faixa etária são motivos que ajudaram a desmitificar o preconceito construído pelos academicistas sobre o uso das HQ’s nas escolas. Os pontos negativos da utilização desse gênero textual são o vocabulário de fácil comunicação em detrimento da linguagem formal e a visão do senso comum, de que a HQ é apenas para o entretenimento.
Sendo assim, a HQ traz um conjunto de informações que pode auxiliar na formação de leitores tanto dos pequenos quanto dos adultos dependendo apenas de como é inserida essa leitura no ambiente escolar e nas diversas disciplinas que compõem o currículo – da Língua Portuguesa à Arte. Já em relação à desvantagem da sua utilização em sala de aula, acredita-se que essa se deve à existência do conceito de escola como ambiente formal de aprendizagem arraigada ao senso comum, que a leitura para o entretenimento, como se via a HQ no início da sua história não era uma leitura apropriada para a formação das mentes que governariam a sociedade, fruto conceptual da educação elitista.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 2000) trazem como uma das finalidades do ensino de Língua Portuguesa para o ensino fundamental a capacidade de o aluno fazer uso das diferentes linguagens – verbal, matemática, gráfica, plástica e corporal. Nessa perspectiva, as formas citadas serviriam como suporte para viabilizar as situações e intenções comunicativas. Como exemplo, dessas formas citam-se as HQ’s e as charges, ambas pertencentes ao gênero quadrinhos, são representativas da cultura de massa, advento da art pop, misturam imagem e texto, linguagem cotidiana, podem ser inseridas nos jornais impressos e possibilitam uma ampla leitura e um público leitor sem limite de faixa etária. Mas trazem diferenças em relação aos fatos, contextos e temas apresentados, a HQ trata de fatos universais sem a presença de um específico, época ou cultura, ou seja é atemporal, quanto aos temas, são de caráter universal e podem ser compreendidos em qualquer parte do mundo. Já as charges tratam de fatos específicos, têm contexto temporal, depende necessariamente do conhecimento de mundo do leitor para entendê-la, porque fora do seu contexto ou época ela perde a sua relevância e ainda tem efeito humorístico, colocado em tom de sátira.
No que se refere aos passos para a elaboração de uma história em quadrinhos em sala de aula Elen Campos Caiado [sd] cita os seguintes:
1. Argumento – ponto de vista da trama, ressaltando as partes – início, meio e fim – de modo resumido;
2. Escaleta – organização lógica e racional das cenas, como meio de garantir o elo da trama;
3. Roteiro – descrição das cenas, cenários, diálogos, personagens, enredo, dramas e a finalização;
4. Traço – definição do estilo de desenho a ser usado, tonalidades de luz e cor e densidade;
5. Formato – número de páginas, o uso desse passo é o marco determinante do ritmo da narrativa;
6. Distribuição do espaço gráfico/croquis – responsável pela definição do formato da HQ, por meio de rabiscos da história, reservando os espaços para a legenda e os diálogos;
7. O lápis – instrumento utilizado pelo desenhista para dar a definição de seu traço;
8. Arte-final – fase de acabamento, que vai dos traços das tintas até o momento da coloração das ilustrações;
9. Lettering – momento de edição do texto;
10. Capa – meio de chamar a atenção do leitor;
11. Contracapas – traz os créditos e textos adicionais;
12. Revisão geral de texto e imagens – verificação de possíveis erros;
13. Prova gráfica – conferência se tudo saiu conforme solicitado;
14. Impressão – etapa voltada à produção comercial, na qual se estabelece um orçamento, cronograma e previsão de tiragem, compete à editora responsável;
15. Distribuição – essa etapa compete aos envolvidos no trabalho, se para a produção comercial, um acordo entre empresas, se trabalho em sala de aula, entre professor e alunos.
REFERÊNCIAS
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental – 5ª a 8ª séries: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 2000.
CAIADO, Elen Campos. Como construir histórias em quadrinhos com os alunos. Disponível em . Acesso em 01.jun.2012, às 23h e 30min.
VERGUEIRO, Waldomiro et al. Como usar as histórias em quadrinhos em sala de aula. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2007.
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