sábado, 11 de maio de 2013


O PERFIL DA MINHA ESCOLA

Rubenil da Silva Oliveira[1]

Ao termo perfil associa-se vários significados, porém toma-se aqui perfil como a descrição dos aspectos representados no Centro de Ensino Estado do Ceará quanto ao uso das tecnologias da informação e comunicação. O Centro de Ensino Estado do Ceará norteia todo o seu trabalho através do seu Projeto Político Pedagógico, nos termos da legislação em vigor. Objetivando sua ação educativa, encontram-se fundamentada nos princípios da universalização de igualdade de acesso, permanência, sucesso e gratuidade escolar. Atualmente luta-se por uma escola de qualidade, democrática, participativa e comunitária, como espaço cultural de socialização e desenvolvimento do educando visando prepará-lo para o exercício da cidadania através da prática e cumprimento de direitos e deveres. Porém antes de particularizar a discussão acerca do perfil tecnológico considera-se salutar conhecer  um pouco do perfil histórico-físico da escola em questão.
O Centro de Ensino Estado do Ceará é uma das escolas públicas estaduais que por determinação da Unidade Regional de Educação de Bacabal atende apenas aos alunos do ensino médio desde 2012. A escola foi fundada em 1962, na gestão do governador Newton de Barros Bello, que na ocasião prestou homenagem a um dos estados brasileiros – o Estado do Ceará. A primeira diretora nomeada foi  Maria Clara Viegas, que permaneceu no cargo por dois anos, sendo substituída pela professora Adma Pereira de Morais Rego. Nesses cinquenta e um anos de contribuição para a educação bacabalense várias sucessões administrativas ocorreram conforme a conveniência política. A escola tem doze salas de aula, uma biblioteca, um laboratório de ciências, um laboratório de informática, uma sala de multimídia, um auditório, uma secretaria, uma sala de professores, uma sala de recurso multifuncional, uma sala de diretor, uma sala de arquivo passivo (documentos da secretaria), uma cozinha e uma cantina para guardar alimentos. Tem uma quadra de esporte sem cobertura. Há ainda um banheiro masculino, um banheiro feminino e um banheiro para os professores.
Sabe-se que o Ministério da Educação (MEC) tem investido recursos na aquisição e formação docente para o uso das tecnologias na escola, por exemplo, no ano de 2012 foi enviado aos estados R$ 180.000.000,00 (cento e oitenta milhões de reais) para a compra de 600.000 tablets para serem entregues aos profissionais da educação (FANTÁSTICO, 2013). Contudo, mesmo tendo o investimento, pelo perfil da escola CEEC nota-se que os programas e projetos do MEC ainda são imaginários.
Quanto aos existentes constatou-se que há os programas TV Escola e o Proinfo. No tocante ao primeiro, há os DVDs, todavia não há a utilização deles pelos professores no cotidiano das práticas pedagógicas desenvolvidas na escola, uma vez que a prática comum é a exposição oral dos conteúdos com ou sem o auxílio do livro didático. O Proinfo disponibilizou os laboratórios de Informática e ainda oferta a formação aos docentes, porém a maioria dos docentes não têm acesso aos cursos ou por falta de tempo, interesse ou falta de uma divulgação mais ampla na escola. O único projeto regular na escola é o Projeto PECULIARTE (Projeto de Pesquisa, Cultura e Arte), que é desenvolvido há quatro anos com participação dos alunos, docentes, técnicos e gestão.
A escola tem os seguintes equipamentos: TV, videocassete, antena parabólica, DVD, retroprojetor, computador, projetor de slides e filmadoras. Destes equipamentos nem todos são utilizados, pois o videocassete não funciona, serviria se houvesse um museu para apresentação das tecnologias do passado, o retroprojetor também não funciona por falta de lâmpada e a maioria dos professores não sabem da sua existência. No espaço onde funciona o laboratório de Informática há dez (10) computadores modelo antigo e que somente agora todos voltaram a funcionar e quando todos estão conectados o aparelho de ar condicionado necessita ser desligado, pois a energia não suporta a sobrecarga; uma (01) impressora, mas sem funcionamento, pois conforme relato de uma das coordenadoras do laboratório, a fonte da máquina está queimada; todos os computadores estão conectados à internet e o scanner existe, mas está queimado, ou seja de nada adianta a impressora e o scanner, uma vez que não podem ser utilizados.
Há na escola duas coordenadoras do laboratório de Informática, as quais são Rosa Maria Uchôa Santos (turno matutino) e Maria Goreth (turno vespertino). Os professores até sabem utilizar as tecnologias nas suas residências, porém na prática docentes são poucos os que a utilizam. Quanto à utilização das tecnologias pelos gestores notou-se que eles a utilizam apenas para os serviços administrativos, uma vez que é indispensável na contemporaneidade uma escola sem que os técnicos administrativos e gestores tenham um computador com conexão à internet e seus acessórios. Sobre os projetos existentes na escola o único projeto é o PECULIARTE, algum outro que venha a ocorrer é por ação esporádica dos professores.
O uso das ferramentas tecnológicas é essencial para a melhoria do processo educativo mesmo que as mudanças nessas três de décadas de inclusão mais expansiva das mídias na escola ainda não represente o impacto esperado. Por essa razão, Sobreiro (apud FANTÁSTICO, 2013, p. 01) diz que: “Nós ainda estamos numa fase de usar a tecnologia para fazer as coisas velhas. Ou seja, fazer melhores provas, fazer o aluno prestar mais atenção, fazer o professor dar melhores aulas. O que a tecnologia serve é para aula, para escola, ser diferente”. Indo além Setúbal (apud FANTÁSTICO, 2013, p. 01) menciona que: “São poucas experiências, mesmo em nível mundial, que tenham realmente uma mudança de paradigma da educação instalada nas suas escolas, que você possa medir o impacto da tecnologia”. Notou-se a partir da leitura dos autores mencionados que os docentes que atuam no CEEC ainda seguem o modelo apontado por Sobreiro, resultando assim no que diz Setúbal, uma vez que os professores usam das tecnologias de forma esporádica dependendo das suas necessidades, planejando-a conforme a série na qual atuam.
No Centro de Ensino Estado do Ceará há uma ficha disponível para o agendamento do uso das tecnologias e dos espaços escolares, como o auditório, laboratório de informática e sala de multimídia, a fim de não haja choque de horários e reservas já que os equipamentos não correspondem à necessidade da escola. Esse é um dos motivos alegados pela maioria dos professores que não fazem uso das tecnologias na escola. Ainda assim pode ser afirmado que a tecnologia vem sendo usada como ferramenta de apoio ao trabalho do professor e de apoio ao trabalho administrativo da escola. Contudo, a questão maior não é apenas o rendimento dos alunos na escola, mas a inserção do aluno no contexto digital. Por isso, Sobreiro (apud FANTÁSTICO, 2013, p. 01) conclui que:

A importância da introdução da informática na escola não é para melhorar o rendimento escolar, é porque a informática faz parte do mundo. Então, se você não dá habilidades de começar a controlar essa máquina, você está retirando uma possibilidade de cidadania dela. A questão é como é que nós vamos melhorar a sociedade sem que, na escola, a gente ensine as crianças a dominar esse equipamento.

     Desse modo, traçar o perfil do Centro de Ensino Estado do Ceará usando o recorte tecnologias e uso ajuda na compreensão das concepções e falhas existentes na formação docente e formação da gestão diante da inserção das mídias no espaço escolar. Por isso, sugere-se que sejam disponibilizados cursos e que haja uma divulgação mais ampla deles de modo a permitir a formação docente para o uso eficaz das tecnologias na escola.

REFERÊNCIAS

FANTÁSTICO. Escolas públicas apostam na tecnologia dentro das salas de aula: Conheça escolas brasileiras que trouxeram métodos modernos e aparelhos tecnológicos para dentro das salas de aula. Globo, 03/03/2013. Disponível em: . Acesso em: 11 maio.2013.

GESTÃO DAS MÍDIAS. Formulário diagnóstico. Etapa I. Disponível em CD do curso. 2013.


[1] Professor de Língua Portuguesa da 1ª e 2ª séries do ensino médio no Centro de Ensino Estado do Ceará, turno vespertino; Aluno do Curso de Gestão em Mídias (NTE – Bacabal); Doutorando em Humanidades e Artes com  ênfase em Ciências da Educação (UNROS); Especialista em Mídias na Educação (UFMA); Especialista em Educação de Jovens, Adultos e Idosos (UEMA); Graduado em Letras – Português – Literatura (UEMA); Acadêmico de Licenciatura em Ciências Humanas (UFMA). E-mails: rubnead@yahoo.com.br/ rubenoliveira50@hotmail.com

MÍDIAS, TECNOLOGIAS E GESTÃO: a escola da pós-modernidade

Rubenil da Silva Oliveira[1]

Da escola peripática na Grécia Antiga à escola virtual e/ou mediada pelas tecnologias foi grandioso o processo de mudanças na estrutura sociopolítica mundial. No conjunto dessas transformações a escola e, por conseguinte, os modos de ensinar e aprender também foram modificados procurando atender as necessidades e exigências do tempo. Porém, mesmo sabendo que a escola é um microcosmo social ainda se encontra envolta de problemas como a gestão das mídias e tecnologias na escola, por exemplo, o uso dos celulares é certo proibi-los? Por que não usar os computadores como ferramenta de leitura na escola?
O uso do celular pelos alunos na escola e, mais especificamente na sala de aula tem dividido as opiniões nas escolas e universidades. De um lado está a maioria dos gestores e professores contrários ao uso por acreditarem que ele desarmoniza o espaço escolar, pois a sala de aula é um espaço de ensino-aprendizagem no qual o discente deve concentrar-se para extrair do docente o maior número de informações possível acerca do conteúdo ministrado. Por isso, defendem que o aparelho celular afeta o desenvolvimento do processo educativo, pois atrapalha o andamento da aula quando o aluno o atende na sala de aula tirando o foco de quem atende e de quem está próximo ou ainda pelos toques musicais. Por outro, estão aqueles que defendem que proibi-lo é uma violação do direito do aluno ou professor de usar o seu bem.  
Outra problemática diz respeito ao não uso do espaço dos laboratórios de informática pelos professores e alunos nas aulas, uma vez que os computadores são mídias potencializadoras da aprendizagem de leitura. Porém, o que se evidencia é que a maioria dos professores não têm a formação necessária para a correta utilização dessa mídia nas práticas de leitura que deveriam ser estimuladas durante as aulas. Do contrário, se perpetuará a crise da leitura já abordada por Zilberman (1982) quando organizou o livro Leitura em crise na escola: as alternativas do professor, no qual ela enumera que essa crise de leitura acontece devido a fatores como a falta de incentivo à leitura nas escolas, a ausência do hábito de leitura pelos alunos e a ideia de que o brasileiro lê pouco em relação a outras nacionalidades. Diante desse problema ainda constata-se que uma parcela significativa das escolas não prescreve em suas propostas curriculares o uso desse espaço mesmo que as propostas do Ministério da Educação e das Secretarias de Estado associem o uso das tecnologias às diferentes áreas do ensino.
Considerando os problemas apontados cabe aos gestores escolares e técnicos/coordenadores dos laboratórios de Informática nas escolas criarem propostas para as suas escolas nas quais defenda o uso da razoabilidade frente aos problemas. Simplesmente, proibir, reter o aparelho celular não assegura o desenvolvimento da aprendizagem, mas promove um conflito mais acirrado entre professor, aluno, gestão escolar e família. Desse modo, a solução ideal é a criação de projetos que preconizem o uso dos celulares em sala de aula como ferramentas para a aprendizagem, através do acesso à internet para a leitura de textos, troca de mensagens e um uso mais expansivo dos laboratórios de informática por todos os docentes. Afinal, a escola da pós-modernidade é sinônimo de educação e tecnologia e as práticas educativas da atualidade precisam estar adequadas aos seus sujeitos.  

REFERÊNCIA

ZILBERMAN, Regina. (org.) Leitura em crise na escola: as alternativas do professor. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.


[1] Aluno do Curso de Gestão em Mídias; Professor de Língua Portuguesa do Centro de Ensino Estado do Ceará em Bacabal (MA); Graduado em Letras (UEMA); Graduando em Ciências Humanas (UFMA) e; Especialista em Mídias na Educação (UFMA).

sábado, 23 de junho de 2012

TRANSFORMANDO A ESCOLA NUM LOCAL DE PRODUÇÃO DE MÍDIAS: Relato visual do projeto


          As mídias como ferramentas pedagógicas possibilitam ao professor e ao aluno a tão sonhada autonomia no processo de aprendizagem dos últimos. Porém, mesmo diante dessa possiblidade apontam-se dificuldades como o domínio das mídias pelo professor e pelo aluno, insuficiência das mídias em relação ao contingente de alunos atendidos pela escola e a experiência dos atores envolvidos na produção das mídias. Ainda assim, é possível realizar uma atividade com qualidade e participação ativa dos alunos, basta que o professor planeje adequadamente a atividade.
          A união entre as propostas de trabalho entre o projeto e o currículo formal presente na escola possibilitou que os alunos envolvidos pudessem integrar as mídias impressa e digital na atividade final do projeto “Trabalhando o gênero jornalístico em sala de aula: leitura e interação através do jornal impresso na 1ª e 2ª séries do ensino médio no Centro de Ensino Estado do Ceará em Bacabal – MA” e as tipologias textuais – narração e descrição. O projeto iniciado em maio começou com a leitura das notícias quando levei os jornais para a sala de aula e solicitei que os alunos lessem as manchetes do jornal e selecionassem para ler àquela que mais chamou a sua atenção. Após essa atividade, ministrei uma aula expositiva sobre a composição e história do jornal na sociedade.
         Para não deixar de lado os conteúdos apresentados no currículo formal referentes ao ensino de gramática e literatura, procurei planejar as aulas de modo que elas pudessem ser contempladas tendo como base as matérias contidas nos jornais e assim dei continuidade ao estudo da linguagem formal, figuras de linguagem, ortografia e acentuação gráfica e dos gêneros literários, em especial os narrativos. Quanto à produção textual, que era onde estava inserida a temática do trabalho, reservei duas horas semanais da carga horária para a leitura e discussão dos gêneros textuais apresentados e produção de textos considerando também o gênero e tipologia textual.
        A opção pela mídia impressa se deu em razão de os computadores do laboratório de Informática não estarem todos em funcionamento, pois das 10 máquinas apenas 4 estavam em condições de uso, fato que inviabilizou levar aproximadamente 40 alunos para aulas no referido ambiente. A princípio as leituras foram individuais, depois passei a reunir os grupos por meio da identificação com os gêneros e tipologias textuais.
        Depois de realizadas a maioria das atividades planejadas e escritos alguns textos mediante o que estava contido no projeto o conteúdo proposto no currículo formal foi “Fábulas e Apólogos”, “narrativas de conteúdo moralizante, oriundas da tradição oral, usa animais como personagens, narrativas curtas, linguagem formal, com público infanto-juvenil e adulto, que pode circular em qualquer meio – impresso ou virtual” (CEREJA & MAGALHÃES, 2010). Então, pensou-se na produção de vídeos e apresentação em slides feitos de modo artesanal usando as câmeras de celulares ou câmeras digitais e/ou no caso dos últimos usando o Movie Makers ou o Power Point.
        Para a culminância pretendia-se inicialmente um seminário para a apresentação dos textos produzidos pelos alunos. Porém com a sugestão dada no Módulo 4 do curso “Ensinando e Aprendendo com as TICs” – produção de vídeos e fotos, levei a sugestão para os alunos da 1ª série, turmas “D, E e F”. Os alunos envolvidos gostaram da sugestão e dentre as fábulas lidas, notícias e gêneros textuais produzidos resolveu-se fazer releituras em slides com fotos associadas às histórias em quadrinhos e vídeos da fábula “A cabra e o asno”, de Esopo, escritor grego que viveu no século VI a.C., considerado o pai das fábulas como gênero literário. Os resultados das produções dos alunos foram satisfatórios e alguns trabalhos selecionados por mim e com o consentimento dos mesmos foram depositados no youtube e podem ser visualizados nos links que seguem: http://www.youtube.com/watch?v=1ZeXhbX7_tc&feature=youtu.be e
         Portanto, a produção de mídias pode ser uma estratégia utilizada na escola e depende apenas de planejamento, sendo uma oportunidade para o desenvolvimento da percepção, capacidade imaginativa e criacionista dos alunos. Não importa, se os alunos dominam mais a mídia que o professor, os primeiros são “nativos digitais”, os últimos não, o fundamental e orientar os alunos a produzirem e participarem ativamente da construção do conhecimento. Além disso, com uma boa ideia na cabeça, criatividade, imaginação e uma câmera na mão é possível que sejam reescritos textos clássicos, como as fábulas de Esopo.

REFERÊNCIAS

CEREJA, William Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português Linguagens: literatura, produção de texto e gramática. Volume 1. 7. ed. reform. São Paulo: Saraiva, 2010.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

PRODUTOS DO PORTAL DO PROFESSOR

PRODUTOS E OBJETOS DO PORTAL DO PROFESSOR



             O primeiro vídeo que eu assistir foi o “Gazeta”, vídeo produzido para o Programa Mais Educação, criado e animado por Leandro Ferreira. O vídeo tem duração de um minuto e trata da origem da palavra “gazeta”. Ele se encontra disponível nos seguintes endereços: Portal do professor e youtube, respectivamente: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=11655 e
http://www.youtube.com/watch?gl=BR&feature=related&hl=pt&v=1BYmOMCnCDA
             O segundo recurso que visualizei foi o material do programa “Recriando o repente”, documentário apresentado no Programa Sala de Professor, do Salto para o Futuro, da série “Poetas do repente”, exibida pela TV escola. A princípio pensei que o link me levaria para um vídeo, mas ele nos leva para o material impresso do projeto “Ritmo e imagem”, o qual pode ser lido e impresso especialmente pelos professores de Literatura, especialmente quando se trabalha os conceitos de rima e metrificação. Para acessar o material basta fazer o download do recurso. O link da aula no Portal do professor é:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=37725
             O terceiro e último recurso didático foi o áudio dos poemas “Frieza, Tortura, A minha dor e A noite desce”, da escritora modernista portuguesa Florbela Espanca, narração do ator, autor de novelas e ex-apresentador de TV, Miguel Falabella. No Portal do professor o link da aula é:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=16708 e do recurso:
http://www.box.net/encoded/6030296/55558484/3918f523535ce115627f47116ad51034
              Então, acessar ao Portal do professor é fazer uma viagem por um mundo de possibilidades e variedade de recursos didáticos necessários à melhoria da prática educativa. Porém, se não houver nenhuma familiaridade com a navegação em ambiente virtual o navegante poderá perder-se. Também é necessário que os programas de visualização de vídeos ou adequados ao áudio estejam devidamente instalados na sua máquina, caso contrário os recursos desejados não serão abertos.



quinta-feira, 14 de junho de 2012

O ESPAÇO DO DIÁLOGO NA SALA DE AULA: um choque entre proposições pedagógicas

Rubenil da Silva Oliveira


A sala de aula é um espaço aberto e, por isso toda a heterogeneidade nela deve ser acolhida e respeitada. Há tempos, um aluno sequer poderia emitir a sua opinião sobre o quê trabalhar e como trabalhar. O currículo já estava pronto e era uma rota estática, impossível de ser alterada, a metodologia era determinada pelo docente, pois ele tinha o domínio do conhecimento e o aluno, um ser passivo e obediente.

Pierre Bourdieu alega no livro “O poder simbólico: uma introdução à sociologia”, que “a cultura dominante contribui para a integração real da classe dominante”, analisando pela bourdieuana a escola serviria somente para a integração elitista, descartando todos os seres não pertencentes à referida classe social. Por outro lado, Lev Vigotsky no seu estudo acerca da interação, admite que todo indivíduo colocado em interação com os saberes podem ascender socialmente.

Considerando tais aportes teóricos, os professores Rubenil da Silva Oliveira (Língua Portuguesa), Cleidimar Ribeiro (História), ambos do turno vespertino do CE Estado do Ceará e o acadêmico Elias do 2º período do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), bolsista do Programa de Iniciação à Docência (PIBID). Preocupados com o baixo rendimento dos alunos no 1º período letivo resolveram ouvir as diversas vozes dos alunos matriculados na 1ª série do ensino médio, turmas (E e F), a fim de identificar os problemas que refletem sobre a aprendizagem e a partir daí elaborar um novo planejamento que agregue a opinião dos alunos.

O foco inicial era motivar os alunos a apresentarem suas opiniões sobre as aulas, professores e a escola. Para isso, os agentes elaboradores da experiência reuniram as duas turmas no auditório da escola, onde foram exibidos vídeos motivacionais, dentre eles “O poder da visão”, “Vida Maria”, “Quem mexeu no meu queijo” e “Desafiando gigantes”, todos disponíveis no site do youtube, músicas como “Another brink in the wall”, de Pink Floyd e “Pais e filhos”, da banda Legião Urbana e textos motivacionais, por exemplo. “O aprendizado”, de Willian Shakespeare e “Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...”, de Luís Fernando Veríssimo. As exibições dos vídeos e leituras dos textos foram intercaladas pela discussão sobre o conteúdo dos mesmos e a importância de o aluno motivar-se para aprender eficazmente e assim modificar a sua vivência.

Com essa atividade notou-se que muitos alunos estão ávidos por conhecimento, mas muitas vezes a escola mostra-se mais preocupada com o currículo que tem de ser cumprido à risca do que com a pessoa que aprende. Desse modo, a escola representa bem o papel de aparelho ideológico do Estado, como presente na teoria de Louis Althusser, seguindo ainda a visão de Bourdieu contida no livro “O poder simbólico”. Fato que reflete o descontentamento dos alunos diante do currículo que lhes é ofertado de forma impositiva.

A partir das discussões constatou-se que quando se pensa numa escola onde o aluno seja sujeito e não objeto da aprendizagem é necessário que ele seja escutado. Portanto, esse foi apenas o primeiro passo e, de agora em diante todas as considerações feitas pelos alunos serão respeitadas no planejamento dos professores envolvidos e, ainda pretende-se agregar outros professores a essa ideia.