O
PERFIL DA MINHA ESCOLA
Rubenil
da Silva Oliveira[1]
Ao termo perfil
associa-se vários significados, porém toma-se aqui perfil como a descrição dos
aspectos representados no Centro de Ensino Estado do Ceará quanto ao uso das
tecnologias da informação e comunicação. O Centro de Ensino Estado do Ceará
norteia todo o seu trabalho através do seu Projeto Político Pedagógico, nos
termos da legislação em vigor. Objetivando sua ação educativa, encontram-se
fundamentada nos princípios da universalização de igualdade de acesso,
permanência, sucesso e gratuidade escolar. Atualmente luta-se por uma escola de
qualidade, democrática, participativa e comunitária, como espaço cultural de
socialização e desenvolvimento do educando visando prepará-lo para o exercício
da cidadania através da prática e cumprimento de direitos e deveres. Porém
antes de particularizar a discussão acerca do perfil tecnológico considera-se
salutar conhecer um pouco do perfil
histórico-físico da escola em questão.
O Centro de Ensino
Estado do Ceará é uma das escolas públicas estaduais que por determinação da
Unidade Regional de Educação de Bacabal atende apenas aos alunos do ensino
médio desde 2012. A escola foi fundada em 1962, na gestão do governador Newton
de Barros Bello, que na ocasião prestou homenagem a um dos estados brasileiros
– o Estado do Ceará. A primeira diretora nomeada foi Maria Clara Viegas, que permaneceu no cargo
por dois anos, sendo substituída pela professora Adma Pereira de Morais Rego. Nesses
cinquenta e um anos de contribuição para a educação bacabalense várias
sucessões administrativas ocorreram conforme a conveniência política. A escola
tem doze salas de aula, uma biblioteca, um laboratório de ciências, um
laboratório de informática, uma sala de multimídia, um auditório, uma
secretaria, uma sala de professores, uma sala de recurso multifuncional, uma
sala de diretor, uma sala de arquivo passivo (documentos da secretaria), uma
cozinha e uma cantina para guardar alimentos. Tem uma quadra de esporte sem
cobertura. Há ainda um banheiro masculino, um banheiro feminino e um banheiro
para os professores.
Sabe-se que o
Ministério da Educação (MEC) tem investido recursos na aquisição e formação
docente para o uso das tecnologias na escola, por exemplo, no ano de 2012 foi
enviado aos estados R$ 180.000.000,00 (cento e oitenta milhões de reais) para a
compra de 600.000 tablets para serem entregues aos profissionais da educação
(FANTÁSTICO, 2013). Contudo, mesmo tendo o investimento, pelo perfil da escola
CEEC nota-se que os programas e projetos do MEC ainda são imaginários.
Quanto aos existentes
constatou-se que há os programas TV Escola e o Proinfo. No tocante ao primeiro,
há os DVDs, todavia não há a utilização deles pelos professores no cotidiano
das práticas pedagógicas desenvolvidas na escola, uma vez que a prática comum é
a exposição oral dos conteúdos com ou sem o auxílio do livro didático. O
Proinfo disponibilizou os laboratórios de Informática e ainda oferta a formação
aos docentes, porém a maioria dos docentes não têm acesso aos cursos ou por
falta de tempo, interesse ou falta de uma divulgação mais ampla na escola. O
único projeto regular na escola é o Projeto PECULIARTE (Projeto de Pesquisa,
Cultura e Arte), que é desenvolvido há quatro anos com participação dos alunos,
docentes, técnicos e gestão.
A escola tem os
seguintes equipamentos: TV, videocassete, antena parabólica, DVD,
retroprojetor, computador, projetor de slides e filmadoras. Destes equipamentos
nem todos são utilizados, pois o videocassete não funciona, serviria se houvesse
um museu para apresentação das tecnologias do passado, o retroprojetor também
não funciona por falta de lâmpada e a maioria dos professores não sabem da sua
existência. No espaço onde funciona o laboratório de Informática há dez (10)
computadores modelo antigo e que somente agora todos voltaram a funcionar e
quando todos estão conectados o aparelho de ar condicionado necessita ser
desligado, pois a energia não suporta a sobrecarga; uma (01) impressora, mas
sem funcionamento, pois conforme relato de uma das coordenadoras do
laboratório, a fonte da máquina está queimada; todos os computadores estão
conectados à internet e o scanner existe, mas está queimado, ou seja de nada
adianta a impressora e o scanner, uma vez que não podem ser utilizados.
Há na escola duas
coordenadoras do laboratório de Informática, as quais são Rosa Maria Uchôa
Santos (turno matutino) e Maria Goreth (turno vespertino). Os professores até
sabem utilizar as tecnologias nas suas residências, porém na prática docentes
são poucos os que a utilizam. Quanto à utilização das tecnologias pelos
gestores notou-se que eles a utilizam apenas para os serviços administrativos,
uma vez que é indispensável na contemporaneidade uma escola sem que os técnicos
administrativos e gestores tenham um computador com conexão à internet e seus
acessórios. Sobre os projetos existentes na escola o único projeto é o
PECULIARTE, algum outro que venha a ocorrer é por ação esporádica dos
professores.
O uso das ferramentas
tecnológicas é essencial para a melhoria do processo educativo mesmo que as
mudanças nessas três de décadas de inclusão mais expansiva das mídias na escola
ainda não represente o impacto esperado. Por essa razão, Sobreiro (apud
FANTÁSTICO, 2013, p. 01) diz que: “Nós ainda estamos numa fase de usar a
tecnologia para fazer as coisas velhas. Ou seja, fazer melhores provas, fazer o
aluno prestar mais atenção, fazer o professor dar melhores aulas. O que a
tecnologia serve é para aula, para escola, ser diferente”. Indo além Setúbal
(apud FANTÁSTICO, 2013, p. 01) menciona que: “São poucas experiências, mesmo em
nível mundial, que tenham realmente uma mudança de paradigma da educação
instalada nas suas escolas, que você possa medir o impacto da tecnologia”.
Notou-se a partir da leitura dos autores mencionados que os docentes que atuam
no CEEC ainda seguem o modelo apontado por Sobreiro, resultando assim no que
diz Setúbal, uma vez que os professores usam das tecnologias de forma
esporádica dependendo das suas necessidades, planejando-a conforme a série na qual
atuam.
No Centro de Ensino
Estado do Ceará há uma ficha disponível para o agendamento do uso das
tecnologias e dos espaços escolares, como o auditório, laboratório de
informática e sala de multimídia, a fim de não haja choque de horários e
reservas já que os equipamentos não correspondem à necessidade da escola. Esse
é um dos motivos alegados pela maioria dos professores que não fazem uso das
tecnologias na escola. Ainda assim pode ser afirmado que a tecnologia vem sendo
usada como ferramenta de apoio ao trabalho do professor e de apoio ao trabalho
administrativo da escola. Contudo, a questão maior não é apenas o rendimento
dos alunos na escola, mas a inserção do aluno no contexto digital. Por isso,
Sobreiro (apud FANTÁSTICO, 2013, p. 01) conclui que:
A importância da
introdução da informática na escola não é para melhorar o rendimento escolar, é
porque a informática faz parte do mundo. Então, se você não dá habilidades de
começar a controlar essa máquina, você está retirando uma possibilidade de cidadania
dela. A questão é como é que nós vamos melhorar a sociedade sem que, na escola,
a gente ensine as crianças a dominar esse equipamento.
Desse modo, traçar o perfil do Centro de Ensino Estado do Ceará
usando o recorte tecnologias e uso ajuda na compreensão das concepções e falhas
existentes na formação docente e formação da gestão diante da inserção das
mídias no espaço escolar. Por isso, sugere-se que sejam disponibilizados cursos
e que haja uma divulgação mais ampla deles de modo a permitir a formação
docente para o uso eficaz das tecnologias na escola.
REFERÊNCIAS
FANTÁSTICO.
Escolas públicas apostam na tecnologia
dentro das salas de aula: Conheça escolas brasileiras que trouxeram métodos
modernos e aparelhos tecnológicos para dentro das salas de aula. Globo,
03/03/2013. Disponível em: .
Acesso em: 11 maio.2013.
GESTÃO
DAS MÍDIAS. Formulário diagnóstico. Etapa
I. Disponível em CD do curso. 2013.
[1] Professor de Língua Portuguesa
da 1ª e 2ª séries do ensino médio no Centro de Ensino Estado do Ceará, turno
vespertino; Aluno do Curso de Gestão em Mídias (NTE – Bacabal); Doutorando em
Humanidades e Artes com ênfase em
Ciências da Educação (UNROS); Especialista em Mídias na Educação (UFMA); Especialista
em Educação de Jovens, Adultos e Idosos (UEMA); Graduado em Letras – Português
– Literatura (UEMA); Acadêmico de Licenciatura em Ciências Humanas (UFMA).
E-mails: rubnead@yahoo.com.br/
rubenoliveira50@hotmail.com