O ESPAÇO DO DIÁLOGO NA SALA DE AULA: um choque entre proposições pedagógicas
Rubenil da Silva Oliveira
A sala de aula é um espaço aberto e, por isso toda a heterogeneidade nela deve ser acolhida e respeitada. Há tempos, um aluno sequer poderia emitir a sua opinião sobre o quê trabalhar e como trabalhar. O currículo já estava pronto e era uma rota estática, impossível de ser alterada, a metodologia era determinada pelo docente, pois ele tinha o domínio do conhecimento e o aluno, um ser passivo e obediente.
Pierre Bourdieu alega no livro “O poder simbólico: uma introdução à sociologia”, que “a cultura dominante contribui para a integração real da classe dominante”, analisando pela bourdieuana a escola serviria somente para a integração elitista, descartando todos os seres não pertencentes à referida classe social. Por outro lado, Lev Vigotsky no seu estudo acerca da interação, admite que todo indivíduo colocado em interação com os saberes podem ascender socialmente.
Considerando tais aportes teóricos, os professores Rubenil da Silva Oliveira (Língua Portuguesa), Cleidimar Ribeiro (História), ambos do turno vespertino do CE Estado do Ceará e o acadêmico Elias do 2º período do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), bolsista do Programa de Iniciação à Docência (PIBID). Preocupados com o baixo rendimento dos alunos no 1º período letivo resolveram ouvir as diversas vozes dos alunos matriculados na 1ª série do ensino médio, turmas (E e F), a fim de identificar os problemas que refletem sobre a aprendizagem e a partir daí elaborar um novo planejamento que agregue a opinião dos alunos.
O foco inicial era motivar os alunos a apresentarem suas opiniões sobre as aulas, professores e a escola. Para isso, os agentes elaboradores da experiência reuniram as duas turmas no auditório da escola, onde foram exibidos vídeos motivacionais, dentre eles “O poder da visão”, “Vida Maria”, “Quem mexeu no meu queijo” e “Desafiando gigantes”, todos disponíveis no site do youtube, músicas como “Another brink in the wall”, de Pink Floyd e “Pais e filhos”, da banda Legião Urbana e textos motivacionais, por exemplo. “O aprendizado”, de Willian Shakespeare e “Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...”, de Luís Fernando Veríssimo. As exibições dos vídeos e leituras dos textos foram intercaladas pela discussão sobre o conteúdo dos mesmos e a importância de o aluno motivar-se para aprender eficazmente e assim modificar a sua vivência.
Com essa atividade notou-se que muitos alunos estão ávidos por conhecimento, mas muitas vezes a escola mostra-se mais preocupada com o currículo que tem de ser cumprido à risca do que com a pessoa que aprende. Desse modo, a escola representa bem o papel de aparelho ideológico do Estado, como presente na teoria de Louis Althusser, seguindo ainda a visão de Bourdieu contida no livro “O poder simbólico”. Fato que reflete o descontentamento dos alunos diante do currículo que lhes é ofertado de forma impositiva.
A partir das discussões constatou-se que quando se pensa numa escola onde o aluno seja sujeito e não objeto da aprendizagem é necessário que ele seja escutado. Portanto, esse foi apenas o primeiro passo e, de agora em diante todas as considerações feitas pelos alunos serão respeitadas no planejamento dos professores envolvidos e, ainda pretende-se agregar outros professores a essa ideia.
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