ESTADO DO MARANHÃO
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
SECRETARIA ADJUNTA DE ENSINO
SUPERINTENDÊNCIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA
SUPERVISÃO DE TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS
CURSO: TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO – ENSINANDO E APRENDENDO COM AS TICS
TUTORA: EDINALVA ARAÚJO DOS SANTOS
CURSISTAS: RUBENIL DA SILVA OLIVEIRA; SOLANNA CRISTHINA MENDES NÓBREGA
CURSISTAS: RUBENIL DA SILVA OLIVEIRA; SOLANNA CRISTHINA MENDES NÓBREGA
TRABALHANDO O GÊNERO JORNALÍSTICO EM SALA DE AULA: leitura e interação através do jornal impresso na 1ª e 2ª série do ensino médio no Centro de Ensino Estado do Ceará em Bacabal – MA.
1 JUSTIFICATIVA
O presente projeto tem como tema “Trabalhando o gênero jornalístico em sala de aula: leitura e interação através do jornal impresso”. A opção por esse tema se deve ao fato de que o jornal impresso traz vários gêneros textuais no seu interior. Além disso, nota-se que a maioria dos alunos matriculados no ensino médio não lê jornais impressos, fator esse que contribui para a não associação da forma escrita com os gêneros textuais exigidos no currículo escolar atual de Língua Portuguesa.
O surgimento da Linguística Textual possibilitou a inserção da prática de leitura de textos diversos como instrumentos de busca do conhecimento, da informação, da solução de problemas e entretenimento. Nesse sentido, um dos instrumentos mais completos é o jornal impresso, uma vez que ele traz muitos gêneros textuais que perpassam as modalidades clássicas como a narração, a descrição e dissertação. Por isso, Marcuschi (2008, p. 160) afirma que os gêneros textuais, “são atividades discursivas socialmente estabilizadas que se prestam aos mais variados tipos de controle social e até mesmo ao exercício de poder”.
Considerando o pensamento do linguista pode ser afirmado que quando trabalhada a leitura e interação do aluno com os diversos gêneros textuais possibilita-se a este a oportunidade de exercitar o domínio sobre a linguagem e comunicação, pois quando se lê e se escreve consegue-se ultrapassar os limites da oralidade e atingir um maior número de pessoas. Lembrando ainda que os gêneros textuais têm sua materialidade no desenvolvimento das diversas situações de interação praticadas pelo homem no seu cotidiano.
Daí a opção por usar o jornal impresso como mídia potencializadora do trabalho com os gêneros textuais na sala de aula. Além disso, a escolha da mídia impressa se deve ao fato de que o laboratório de Informática no momento ter somente quatro máquinas em condições de uso e as turmas terem mais de 30 alunos, fato que inviabiliza o trabalho com a mídia computador tendo o aluno como foco principal.
O domínio discursivo presente nas diversas situações sócio-comunicativas como defendido por Bakhtin (1994) e Marcushi (2008) se refere especialmente aos espaços onde se determina a produção de textos e a circulação dos mesmos. Desse modo, a leitura oportuniza ao educando a interação com o texto. Tomando por base esse binômio tem-se como resultante o conhecimento sobre a diversidade de gêneros textuais presentes nos jornais impressos, pois é só por meio dessa que os alunos são capazes de aprender as características dos diferentes gêneros textuais e assim atenderem melhor aos objetivos educacionais pretendidos no ensino de língua materna, por exemplo, que os alunos da 1ª e 2ª série do ensino médio leiam e escrevam os diversos gêneros textuais.
Portanto, usando o jornal impresso como material de leitura em sala de aula, pode-se a partir dele trabalhar a produção escrita de novos textos obedecendo às características do texto jornalístico. Por essa infinidade de gêneros contidos no jornal é que se optou por usar essa mídia. Depois de realizadas as etapas de leitura e interação com o texto jornalístico acontecerá à etapa de produção dos textos e, por último, ocorrerá a culminância com a apresentação dos textos produzidos.
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
• Conhecer a diversidade de gêneros textuais contidos no jornal impresso.
2.2 Objetivos específicos
• Apresentar a variedade de gêneros textuais contidos no jornal impresso;
• Mostrar as características dos gêneros textuais jornalísticos;
• Ler a diversidade de textos explícitos no jornal impresso;
• Produzir textos diversos baseados nos gêneros textuais jornalísticos.
3 MARCO TEÓRICO
Para Marcushi (2008, p. 19), os gêneros textuais contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do cotidiano. São entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação. Todavia, mesmo apresentando alto poder preditivo e interpretativo das ações humanas em qualquer contexto discursivo, os gêneros não são instrumentos estanques e enrijecedores da ação criativa. Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos e plásticos. Surgem emparelhados a sociedades e atividades socioculturais. Isto se deve ao fato de que os gêneros textuais estão ligados a esferas de circulação.
Com o surgimento da imprensa de Gutemberg chegou-se à popularização do gênero escrito e, mesmo depois de mais de cinco séculos nem todos os indivíduos se tornaram leitores e/ou produtores de textos escritos, visto que na fala se produz textos a todo o momento. Por isso, João Wanderley Geraldi (2010) apud Luiz Percival Leme Britto (2011, p. 31) afirma que:
Aprender a escrever traz dificuldades específicas. Escrever nunca é só um processo simples de transcrever a fala para a escrita ou traduzir as palavras faladas em signos escritos. [...] O principal problema da escrita é tornar-se consciente de seus próprios atos. Escrever significa conscientizar-se da sua “fala”, prestar atenção aos recursos linguísticos mobilizados ou mobilizáveis segundo o projeto de dizer definido para o texto em elaboração. [...] Nos textos aparecem todos os problemas que podem ser enfrentados no campo da linguagem: os sentidos e as formas comuns e inusitadas de expressá-los. A atenção ao acontecimento pode chegar ao detalhe do linguístico no seu sentido estrito.
Observando o excerto nota-se que a produção dos gêneros textuais escritos é dificultada por não representar apenas a concepção de linguagem como pensamento, mas por sua funcionalidade numa interação sócio-comunicativa. Essa funcionalidade exige do produtor de texto a apresentação dos fatores linguísticos, os quais são a coesão e a coerência e os fatores pragmáticos da textualidade, os quais são: intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade e intertextualidade. A não demonstração desses fatores demonstra a não apreensão dos conteúdos pelo aluno (COSTA VAL, 2004).
Ler a escrita contemporânea é tão necessário quanto aprender a ler e escrever as palavras. Isso reforça a ideia de que a escrita alfabética é apenas uma dentre a multiplicidade de sistemas que temos hoje. Assim, o conceito de alfabetização amplia-se para que se possa ler não só as palavras, como também as imagens e os sons que muitas vezes acompanham as imagens. O analfabeto, hoje, não é aquele que não sabe ler a palavra escrita, mas o que compreende os textos do seu contexto social.
Como a textualidade tem sido concebida apenas como organização verbal, pouco tem sido percebido da expansão da escrita e de seus produtos; não se entende o texto como a combinação de diferentes códigos, como um produto híbrido: um produto em aberto, em expansão, sendo tecido. Seguindo essa perspectiva, necessita-se de um olhar mais atencioso para o movimento dos gêneros na cultura contemporânea (MACHADO, 1999).
Para compreender que a escrita sofre um processo de expansão é necessário que se perceba que a cultura evolui e ainda assim o texto impresso continua sendo a principal fonte de leitura nas escolas, pois os textos são constituídos por diversos sistemas semióticos, interconectados, em constante diálogo, num crescente processo de experimentação, transformação e expansão. Respeitando essa característica dos gêneros textuais impressos, Machado (1999, p. 41) afirma que:
Chamamos a atenção para o fato de que a expansão da escrita por campo de cobertura – a escrita tipográfica, a eletrônica – tem sido, nos últimos tempos, muito maior do que a sua expansão por campo de sentidos: a escrita está espalhada em muitos suportes e sendo divulgada para diferentes lugares, mesmo que não tenhamos condições de lhe atribuir sentidos mais consistentes. Além disso, desconhecemos de que modo ela vem se organizando e se estruturando e, como sabemos, a velocidade dos deslocamentos é avassaladora. Assim sendo, se pretendemos ter alguma influência sobre nossa próxima escala, é melhor avançarmos no campo dos sentidos que, por sua parte, ocorre tanto no momento de interpretação daquilo que se comunica quanto no processo de emissão do que se pretende comunicar.
De acordo com Machado o desenvolvimento de competências para a construção de significados partilhados pressupõe o desenvolvimento da capacidade metalinguística de produção da linguagem, ou seja, a percepção das possíveis traduções entre os sistemas semióticos. Quando os sistemas entram em conexão, eles não se anulam, mas se reelaboram, se expandem: eles co-evoluem. Desse modo, pode-se ressaltar ainda que a concepção de linguagem enquanto interação como atividade mediadora entre a língua e seus usuários cria condições propícias ao surgimento de uma linguística do discurso, ou seja, que se ocupa das manifestações linguísticas produzidas por indivíduos reais em situações concretas, sob determinadas condições de produção – cujo objetivo é descrever e explicar a interação humana por meio da linguagem.
A evolução dos sistemas de ensino e consequentemente da didática são vistos como a base para o desenvolvimento da sociedade em geral. Essa evolução começou com o surgimento dos recursos facilitadores do ensino e da aprendizagem. Neste sentido, a produção de textos pelos professores e alunos se torna uma excelente oportunidade de eles obterem contato com a matéria de aprendizagem, neste caso com o texto jornalístico enquanto gênero textual presente no currículo proposto para a 1ª e 2ª série do ensino médio. Por isso, a tendência destes se ampliarem, pelos seus benefícios na produtividade e a acessibilidade econômica na aquisição destas soluções, visto que quando são citadas as escolas públicas por uma questão absolutamente cultural a maioria não tem acesso ao gênero jornal.
Ao pensar a questão do gênero jornal no âmbito da sala de aula com o propósito da leitura e interação do aluno com a mídia impressa. Busca-se a produção de novos textos usando os apresentados como suportes, enfatizando meios que incluam uma análise dos contextos de produção, não somente nos seus aspectos tipológicos e linguísticos. Mas também nos seus aspectos sociais, históricos e culturais, para se chegar à reconstrução dos sentidos dos textos, por meio do uso dos próprios gêneros.
Espera-se que esse projeto possa contribuir para uma reflexão dos docentes e gestores da escola acerca da relação com a mídia impressa, como principal fonte de leitura dos nossos alunos e as práticas de escrita, relação essa que, embora ainda seja pouco estudada, pode nos ajudar a entender melhor o modo como às práticas de produção textual podem ser trabalhadas no contexto escolar quando usada a mídia impressa como aliada.
Portanto, ressaltamos aqui a importância de expandirmos pesquisas empíricas que contemplem o texto jornalístico e suas múltiplas possibilidades de (re)construir significados por meio da mídia impressa. Isso talvez torne possível promover um (re)pensar, e até uma redefinição, sobre as nossas teorias e práticas que compõem a comunicação humana.
4 METODOLOGIA
A metodologia a ser aplicada neste projeto terá como base a igualdade do conhecimento dos alunos em Língua Portuguesa, buscando um melhor aperfeiçoamento da linguagem escrita e domínio da mídia impressa.
4.1 Identificação da escola
O projeto será aplicado no Centro de Ensino Estado do Ceará, localizado à Rua Magalhães de Almeida, 808, Centro, em Bacabal – MA. A clientela a que se destina são os alunos matriculados na 1ª e 2ª série do ensino médio, do turno vespertino. E, ainda o tempo previsto para a realização do projeto será de 15 de maio a 28 de junho de 2012. As atividades serão desenvolvidas em sala de aula usando os gêneros textuais impressos e ainda incentivando a produção escrita de novos textos.
A execução do projeto se dará em quatro etapas: Seleção dos jornais impressos a serem levados para a sala de aula para leitura dos alunos; Aulas expositivas sobre os gêneros textuais apresentados nos jornais, dentre os quais se apresentam o editorial, artigo de opinião, notícia, charge e cartoon, horóscopo, crônica, propaganda, classificados e cartas; Leitura do jornal impresso em sala de aula e; Produção de textos com base nos gêneros textuais lidos pelos alunos e apresentados em sala de aula pelo professor. Ao final serão confeccionados cartazes e textos para a apresentação da culminância. A mídia a ser utilizada será o texto impresso contido nos jornais. A metodologia a ser aplicada neste projeto terá como base a igualdade do conhecimento dos alunos em Língua Portuguesa, buscando um melhor aperfeiçoamento da linguagem escrita e domínio da mídia impressa.
• 1º Passo – Elaboração do plano de aula pelo professor incluindo os gêneros textuais;
• 2º Passo – Seleção dos jornais impressos a serem levados para a leitura em sala de aula;
• 3º Passo – Leitura dos jornais impressos pelos alunos em sala de aula;
• 4º Passo – Aula expositiva para apresentação dos gêneros textuais contidos nos jornais, sendo dedicadas duas aulas para cada gênero, os quais são: editorial, artigo de opinião, notícia, reportagem, crônica, carta ao leitor, entrevista, debate, manchete, charge, cartoon e humorístico;
• 5º Passo – Reler as matérias jornalísticas no jornal impresso e selecionar algumas para debate em sala de aula sobre o gênero textual apresentado;
• 6º Passo – Propor aos alunos diálogo em pares para facilitar a compreensão do assunto;
• 7º Passo – Escrever textos conforme os gêneros trabalhados;
• 8º Passo – Troca de textos entre os alunos para correção da ortografia e melhoramento dos textos;
• 9º Passo – Exposição dos textos na aula de Língua Portuguesa;
• 10º Passo – Culminância e apresentação dos textos produzidos em forma de Seminário sobre os gêneros textuais.
4.3 Critérios de avaliação
A avaliação será contínua durante todo o desenvolvimento do projeto, devendo observar para isso os seguintes critérios:
• Assiduidade, frequência e participação dos alunos no decorrer das atividades;
• Participação e a interatividade tanto individual como em grupo;
• Produção escrita dos alunos;
• Apresentação oral dos alunos na culminância do projeto.
5 RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se que os alunos:
• Conheçam a linguagem dos textos jornalísticos e façam uso adequado dos mesmos em sua comunicação diária tanto na escola quanto no ambiente familiar;
• Compreendam as características dos gêneros textuais contidos no jornal impresso;
• Entendam a relevância dos gêneros textuais para a aprendizagem da língua escrita e ampliação do vocabulário da Língua Portuguesa;
• Sejam capazes de ler os textos jornalísticos;
• Produzam textos escritos a partir dos gêneros lidos;
• Ampliem o entendimento sobre o uso do jornal enquanto mídia impressa, aprimorando o diálogo e a comunicação.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: Informação e documentação: trabalhos acadêmicos – apresentação. Rio de Janeiro: 2011.
BRITTO, Luiz Percival Leme. Verdades perigosas. In. Na Ponta do Lápis: Olimpíada de Língua Portuguesa. Ano VII, nº 18, dezembro de 2011.
BAKHTIN, M. Problemas na poética de Dostoiévski. 4. ed. Trad. de Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense/ Universitária, 1994.
COSTA VAL, Maria da Graça da. Redação e textualidade. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2004.
MACHADO, I. Texto & gêneros: fronteiras. In: DIETZSCH, M. J. M. (org.) Espaços da linguagem na educação. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1999.
MARCUSHI. Luís Antônio. Processos de produção textual. In: _______. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
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